ECONOMIA (EVOLUÇÃO)

Agricultura
Quando, em tempos que se perdem na noite da Historia, o “senhor da terra” implantou, a Sul de Vila Nova, uma quinta com caseiro, desejaria por certo dedica-se ao aproveitamento económico da zona, de características agrícolas únicas. Pelo conhecimento dos terrenos sobranceiros, a nascente da povoação, saberia que todo o vale banhado pelo rio da Serra é fértil. Não é, pois, de estranhar a fixação de população junto a estes terrenos. Afinal, Vila Nova nasceu inserida numa zona propícia à agricultura: de um lado, a várzea; do outro, terrenos argilosos, vocacionados para a vinha, e uma zona montanhosa, de aptidão florestal.
Povo habituado ao trabalho duro do campo, desenvolveu inicialmente uma agricultura de subsistência, que viria a tornar-se fonte de riqueza. Os processos de cultivo sofreram várias transformações, com a evolução técnica operada ao longo do século XX. A introdução de novas culturas alterou as formas tradicionais de preparação da terra, de molde a melhorar a rentabilidade.
Há cem ou mais anos, a aposta iniciada no linho, para aproveitamento do qual se construíram prisões, onde era preparado pano grosso, a que se chamava “sarrubeco”. As zonas baixas eram utilizadas para o cultivo de milho, mas também de legumes e hortaliças – só mais recentemente tabaco e kiwi passaram a constituir opções. Os terrenos mais elevados destinavam-se batatais e olivais. Já as encostas, especialmente terrenos argilosos, são de há muito usadas para o plantio de vinha.
Outrora, as uvas eram recolhidas para lagares instalados em casa dos agricultores. Hoje, poucos mantêm essa prática. A maioria encaminha a produção para caves ou adegas cooperativas, que se encarregam da comercialização. Foi sendo progressivamente abandonada a forma desordenada de plantação de vinha, em  arte graças a apoio financeiro comunitários. Devidamente dimensionadas, as vinhas ocupam actualmente terrenos com aptidão para o efeito e o seu tratamento obedece a regras estabelecidas pela Estação Vitivicola da Beira Litoral, sedeada em Anadia. O desenvolvimento deste sector económico, com fortes tradições na região, conduziu à criação da Confraria dos Enófilos da Bairrada, que estimula e premeia produtores, pela qualidade e pureza dos seus vinhos.
A oliveira, plantada junto a estradas ou em testeiras das terras baixas, foi uma árvore muito comum em Vila Nova. O pouco cuidado dispensado ao seu tratamento deixou-a, no entanto, entregue à sorte da natureza. Por outro lado as doenças que afectaram a espécie deram origem a quebras acentuadas de produção de azeitona. Em alguns anos, as oliveiras não chegavam sequer a frutificar. Ventos de Norte arrastavam para a nossa região maus cheiros, por vezes bem activos, provenientes de unidades industriais de Cacia, perto de Aveiro, e, até, de Estarreja. No entender dos agricultores, também estes focos de poluição afectaram os olivais.
Antigamente, a rega era feita com baldes de madeira pendurados em picotas ou cegonhas, que possantes homens içavam do fundo dos poços, para despejar em regos. Em pequenas áreas de cultivo, era às mulheres que cabia esse trabalho, com recurso a cabaços. Os mais abastados utilizavam a nora provida de alcatruzes e movida por bois.
Os transportes agrícolas modernizaram-se: da carroça puxada por um só animal – ou do carro da madeira atrelado a uma junta de bois – passou-se ao tractor. Modernas alfaias substituíram a enxada e a charrua. A gadanha de madeira e os manguais permanecem apenas na memória. 
Já fizemos referencia aos pisões, que deram o nome a alguns locais – como o topónimo Pisão, terreno próximo da estrada que liga Vila Nova a Algeriz – entretanto substituídos por moinhos, construídos ao longo do rio da Serra. De muitos pisões, sobram apenas vestígios; outros encontram-se em ruínas. Alguns, porém, estão bem conservados. É o caso, precisamente, do Pisão, ainda utilizado para moer cereais, cuja farinha se destina, essencialmente, ao consumo doméstico. Ainda não há muitos anos funcionava, em Além do Rio, o moinho de Eugénio Campos, movido inicialmente a água e que, mais tarde, passou a recorrer a um motor.
Há meio século, a economia da freguesia assentava exclusivamente na agricultura, muito pouco rentável, tanto mais que a diversificação de actividades económicas nunca foi incentivada pelos poderes local, regional ou o nacional. O amanho da terra era uma tarefa tortuosa e amargurada. O analfabetismo imperava e a população raramente completava a instrução primária. Dai que muitos habitantes da freguesia tenham procurado fora do país o desafogo económico que aqui não encontravam. A emigração, que no século passado levou centenas de vilanovenses ao Brasil, numa primeira fase, e a países europeus como França, Suíça, Alemanha e Luxemburgo, mais tarde, é hoje um fenómeno com menor expressão.
Nos tempos que correm, poucas pessoas se dedicam à agricultura. As que restam, todas com mais de 50 anos, cultivam pequenas courelas. A população mais jovem, na sua maioria, está empregada em pequenas e médias empresas industriais, no comércio e nos serviços.
 
Silvicultura
Também o sector florestal evoluiu bastante. No início do século passado, os montes estavam cobertos de estevas e mato rasteiro. Só alguns espaços eram ocupados por pinheiros, acácias e medronheiros. O agricultor produzia aguardente medronheira em alambiques caseiros. O agricultor produzia aguardente medronheira em alambiques caseiros. Progressivamente, o medronheiro foi abandonado, para dar lugar a plantações de trigo.
O pinheiro, árvore predominante no país, foi sendo substituído pelo eucalipto. O facto de ser uma espécie de crescimento rápido contribuiu para a mudança. Também a freguesia de Vila Nova de Monsarros seguiu a tendência, porque os proprietários florestais se aperceberam do valor económico do eucalipto.
 
Industria
Exploração mineira
No concelho de Anadia, a actividade mineira atingiu um certo desenvolvimento na primeira metade do século XX, com a extracção de manganês. Segundo Mário Jorge Santiago, existiram pelo menos quatro bacias lagunares daquele minério. A saber: Covelos e Lomba da Presa, Vale de Fráguas ou Ribeiro da Serra de Cábria (em parte situada na nossa freguesia), Vale de Monsarros – 500 metros a poente da aldeia, com andamento de cerca de 1200 metros – e Fonte da Pipa, a Sudoeste de Vila Nova, com mais de três quilómetros, ambas integralmente situadas no território da freguesia. “A zona mais rica do jazigo situava-se na protuberância de terreno localizada entre a Moita e Vila Nova de Monsarros”: assinala o autor.
Remonta a 1878 o primeiro sinal de interesse pela exploração económica do minério. Logo se desenrolou uma verdadeira “corrida” aos depósitos, surgindo diversos pedidos de registo da descoberta de jazigos. Freixial e choupiqueira foram as primeiras concessões. Em 1885, já se produziram oficialmente 2678 toneladas métricas de manganês. Porém, num regime de exploração intensiva, em que predominava a chamada “lavra de rapina”, destituída de conhecimento cientifico das potencialidades geológicas e tecnologicamente incipiente, o desenvolvimento da actividade mineira sempre esteve condicionado pela procura internacional – maior durante a II Guerra Mundial, em decréscimo posteriormente, Ganharia novo impulso com o projecto da Siderurgia Nacional, concretizado entre 1954 e 1961, já obedecendo a metodologias de extracção mais apropriadas.
Morais Cerveira, autor de um estudo técnico efectuado na época à jazida de manganês de Anadia, demonstrou que o minério produzido no concelho tinha grandes possibilidades de abastecer a Siderurgia. Foram atribuídas 12 novas concessões, entre as quais as da Várzea de Monsarros e de Vila Nova 2, 3, 4 e 5. Entre 1957 e 1959, o Serviço de Fomento Mineiro procedeu ao reconhecimento geológico e à avaliação das potencialidades económicos da faixa entre a Moita e Vila Nova de Monsarros, de cerca de 1750 hectares. A exploração, no entanto, foi sendo progressivamente abandonada, até a revogação das concessões, por se mostrar pouco compensatória, face à descoberta de novos jazigos, noutros países, capazes de satisfazer as necessidades mundiais, a preços mais competitivos.
São hoje escassos os vestígios da actividade de extracção de manganês e menos ainda de carvão e ferro, nas minas de Algeriz. De acordo com Mário Jorge Santiago, foram atribuídas perto da aldeia, ainda no século XIX, as concessões de Vale dos Calvos (1879), Mestras, Quintas, Salgueiral e Loisal (em 1884), que se juntaram a outra sete da zona do Luso. Todas viriam a ser abandonadas, volvidos menos de 50 anos.
Vila nova participou activamente na exploração de manganês. Foram muitos os filhos da freguesia que trabalharam nas minas, com enorme sacrifício, mas sempre cheios de coragem e abnegação. Referencio aqui apenas Fernando Ferreira (“Fernando das Trancas”) e Manuel Barbosa (“Pagode”). O primeiro trabalhou em 1932 na concessão do Vale do Soeiro e transitou mais tarde para a do Freixial. Os seus instrumentos de trabalho eram a picareta, a marreta e a broca. Como suportes, o carro de mão e a padiola; como fonte de luz, o gasómetro.
Mais tarde, passaram a ser utilizados outros meios de extracção, como o tiro com pólvora, a bombardeira ou a dinamite. Usava-se também, uma mistura de enxofre, nitrato e carvão moído, preparada pelos próprios mineiros. As galerias onde se desenvolvia o trabalho de extracção eram numeradas. Algumas tinham cerca de dois mil metros de extensão e vários níveis. Nestas circulavam as vagonetas de transporte do minério para a superfície. Chegaram a extrair-se sete qualidades de minerais.
O número de trabalhadores da freguesia de Vila Nova, entre homens e mulheres, quase atingiu a vintena. Distribuídos por três turnos, o salário inicial era de 2$50 por dia, alcançando posteriormente o máximo de sete escudos. Uma também pelo facto de não ser verdadeiramente recompensada.
 
Outros sectores
No século passado, foram empreendidas várias tentativas de criar unidades industriais no território da freguesia. Chegou a funcionar, em Vila Nova de Monsarros, uma fábrica de artefactos em palha de centeio, vendidos às caves de vinho para embalar garrafas. Com a progressiva adopção de caixas de madeira ou verga para acondicionar as garrafas, o produto deixou de ter utilidade, pelo que a fábrica foi obrigada a fechar as portas.
Também durante anos laborou a Cerâmica de Santo Amaro, sociedade de que foi sócio António dos Santos Lopes, junto à estrada municipal que hoje liga Vila Nova e Grada. Na produção de tijolo, empregou um número significativo de pessoas. Encerraria, ultrapassada por unidades tecnologicamente mais avançadas.
O mesmo aconteceu à serração instalada no Alto do Coito, outrora propriedade de António Dias, filho de um industrial do mesmo ramo. Inicialmente de pequena dimensão, foi mais tarde ampliada e equipada com novos meios tecnológicos. Nunca chegando a atingir a laboração plena, esteve encerrada durante alguns anos. Com novo proprietário, desenvolveu-se e criou mesmo uma secção de carpintaria. De nada valeu: a última fábrica que oferecia emprego à população da freguesia também abriu falência. Felizmente, a maioria dos desempregados desta fábrica viria a ser absorvida por outras unidades industriais, como a Sanita e a Revigrés, instaladas na zona industrial de Anadia.
 
Comércio e serviços
O comércio e os serviços também registaram evolução. Ainda há quem se recorde das poucas lojas de que, em tempos, Vila Nova dispunha, a maioria das quais vendia produtos a granel. As tabernas, por seu lado, contribuíam para uma certa sociabilidade. Era nela que os homens se reuniam, sobretudo ao domingo, para, a conversar e a beber, matarem o tempo. Quantas vezes o excessivo consumo de bebidas alcoólicas não provocava discussões e até cenas de pancadaria, que em nada dignificavam os seus intervenientes…
No último quartel do século passado, a freguesia deu, neste campo, um verdadeiro “salto”. Surgiram “mercadinhos”, mini-mercados e “snack-bares” mais modernos. Além de talhos e padarias.