Igreja Matriz

Dados do Património
Nome: Igreja Matriz

Monsarros e, naturalmente a nova “villa” que deu origem a Vila Nova, eram povoações onde proliferavam templos. Já no século XI, abundavam “igrejas rurais” na região. A primeira de que há memória na freguesia é a de S. Marinho em Monsarros, cuja construção é muito anterior à fundação da nacionalidade. Em 1081, surgem as igrejas dedicadas a Santa Maria e a S. João Batista.
A igreja Matriz está implantada junto à estrada municipal que liga Vila Nova a Algeriz e Parada. O actual templo será o sucedâneo dos que terão existido na zona do Passal, à Fiuzeira. A história revela, com efeito, que Vila Nova já no século XII dispunha de igreja paroquial. A actual é um edifício da segunda metade do século XVIII, amplo, mas com poucos motivos arquitectónicos de interesse. É dotado de alvenaria em calcário, apesar de a região possuir em abundância grés vermelho – são muitas as casas cujos umbrais das portas e janelas apresentam ainda hoje este material.
A torre sineira está implantada no ângulo formado pela capela-mor e os umbrais do corpo de edifício. Os altares laterais são cavados nos flancos e em forma de arco, com dois pares de retábulos. A porta da frontaria, rectangular é encimada por um frontão entrançado mistilíneo. Mais acima, um vasto óculo quadrilobado, com fogaréus nos cunhais. O arco cruzeiro, de tipo simples, fecha uma balaustrada de pedra. No corpo da igreja, do lado esquerdo, existem duas pequenas capelas de construção posterior. Numa delas, figuram as imagens de Nossa Senhora da Soledade e do Senhor dos Passos. Na outra, sobre um andor trabalhado, a imagem imponente mas moderna do padroeiro, S. Miguel, atribuídas à escola escultórica de Braga.
Aquando da última reparação do templo, efectuada na década de 80 do século passado, foi retirada desta segunda capela a pia baptimal, colocada do lado direito do altar oposto ao Evangelho. Esta peça inscreve-se no Gótico inicial do século XVI: pé oitavado, receptáculo de caneluras cavadas, planas e espiraladas. Os púlpitos – um de cada lado do corpo principal – datam da primeira reconstrução. O retábulo principal do altar-mor, do tipo setecentista final, é ladeado por quatro colunas compósitas e mísulas entre cada par. De cada lado, existem pequenos nichos com esculturas de calcário, da oficina coibrã do século XV – Santa Luzia e uma imagem de S. Miguel, que substituiu a de uma santa mártir.
Os retábulos laterais dos arcos mais próximos do cruzeiro são dotados de pilastras do tipo pendular invertido. No primeiro da esquerda, figuram pinturas populares. No segundo, do mesmo lado, uma tela com as almas do Purgatório e S. Nicolau Tolentino a liberta-las, de autor desconhecido. No altar, uma imagem recente de Nossa Senhora de Fátima.
Do lado oposto, o primeiro altar foi restaurado, ficando o fundo de madeira pintado de azul celeste, de onde emerge a escultura em pedra da Virgem com o Menino (Senhora do Rosário), da segunda metade do século XVIII. O segundo altar desse mesmo lado é desprovido de retábulo, tendo apenas um grande Cristo crucificado comum, do século XVII. No altar, duas imagens de Santo António, de tamanhos diferentes.
José Augusto, fundidor de Cantanhede, é o autor de um dos sinos da torre. O relógio, que funcionava por pêndulos, foi entretanto substituído por outro, computorizado, que pode ser accionado a partir de um painel instalado na sacristia. De realçar, ainda, a existência de um grande quadro/painel, cuja teia representa S. Cristóvão e o Menino, que cobre parte da parede do lado esquerdo do corpo principal da Igreja, entre um dos retábulos e o púlpito.